Histórias ou lapços de loucura? ✨

Talvez as ideias de um escritor não surjam exatamente como deveriam.
É normal um escritor ficar entediado quando pensa em algo criativo? Ver uma situação qualquer e imediatamente transformá-la em uma possível história?
Talvez.
Mas Driely E. Milbratz não.
Minhas ideias costumam surgir de situações um tanto... inusitadas.
E, dessa vez, vou tomar a liberdade de compartilhar uma delas com vocês.
Imagine você tentando dormir às duas da manhã e, de repente, sendo atingido por uma crise existencial.
Talvez você se identifique comigo.
Ou talvez seja uma dessas pessoas abençoadas com o poder que eu tanto almejo: dormir a noite inteira tranquilamente.
Em uma dessas crises, comecei a me culpar por trabalhar demais e viver em um estado de cansaço absoluto.
O famoso burnout.
Para quem ainda não sabe, eu tenho uma filha de três anos.
E bem...
Crianças exigem de nós um nível de energia que só quem tem filhos consegue entender.
Foi então que comecei a lembrar de algumas situações.
O olhar distante dela.
A maneira desanimada como ficava perto de mim.
Ela tentava me mostrar seus livrinhos de fazendinha, e eu respondia alguma coisa automática enquanto continuava concentrada na tela do computador.
Então ela tentava novamente.
E novamente.
Até que, em algum momento, parava.
Jogava o livrinho de lado e ia assistir desenho no tablet.
E aquilo ficou na minha cabeça.
Naquela noite, no meio de mais uma das minhas crises existenciais, comecei a me perguntar:
Quanto da vida dela eu estava realmente aproveitando?
Quanto eu estava vivendo?
E quanto estava apenas sobrevivendo?
Nos dias seguintes, comecei a prestar mais atenção nela.
Na maneira como contava os pássaros no fim da tarde.
Na curiosidade com que explorava cada coisa que encontrava no quintal.
Até mesmo um simples cogumelo parecia ser digno de investigação.
E então alguma coisa aconteceu.
Percebi que talvez nós, adultos, vivamos tão ocupados no piloto automático que esquecemos de olhar para aquilo que está bem diante dos nossos olhos.
As coisas mais incríveis podem estar debaixo do nosso nariz.
Mas estamos ocupados demais para enxergá-las.
Foi quando minha filha me lembrou de uma coisa que eu havia esquecido:
como é observar os pássaros.
Com os olhos de uma criança.
Sem pressa.
Sem procurar um motivo.
Apenas observar.
E, de alguma maneira, aquilo me fez lembrar das estrelas.
E de como, um dia, todos nós estaremos entre elas.
Talvez o céu seja o único lugar verdadeiramente infinito.
Porque o tempo não é.
O tempo voa.
E, se não pararmos para observar os pássaros ao lado de quem amamos, pode chegar um dia em que será tarde demais.
O céu continuará ali.
Mas o lugar que ocupávamos ao lado daquela pessoa estará vazio.
E foi assim que nasceu Observando os Pássaros.
Não de uma grande revelação.
Não de uma ideia mirabolante.
Mas de uma criança tentando mostrar um livrinho para uma mãe ocupada demais para olhar.
E talvez seja por isso que Observando os Pássaros seja, para mim, a origem das minhas cores.

- Driely E. Milbratz ♡

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